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A Pílula e os Antibióticos

Será que existem antibióticos que podem anular o efeito da pílula? No momento da prescrição de um medicamento é importante informar o médico que estamos a tomar a pílula, ou não?

Este é um tópico que levanta sempre muitas dúvidas. Muitas vezes as mulheres esquecem-se de dizer ao médico que está a prescrever um antibiótico, que tomam a pílula, o que acarreta o risco de uma gravidez indesejada.

Há diferentes tipos de antibióticos que podem afectar a eficácia da pílula – a rifampicina (tuberculose), a penicilina, a amoxilina e a tetraciclina, bem como antiepilépticos (fenobarbital e carbamazepina)

Quando se vai tomar antibióticos é fundamental dizer ao médico (principalmente nas urgências pois não têm o historial clinico) se está a fazer alguma medicação como a pílula, se tem tendência a candidíases, se faz alergia a algum medicamento e se há alguma hipótese de estar grávida.

Esta regra só se aplica em alguns casos de antibióticos. Na maior parte das vezes não é verdade.

Então porque é isto pode acontecer?

O antibiótico pode cortar o efeito da pílula porque consegue diminuir a concentração de hormonas presentes na pílula (que circulam no sangue), tornando-a ineficaz. Isso ocorre porque os antibióticos destroem as bactérias intestinais responsáveis por gerar reações enzimáticas. Essas reações servem para liberar o estrogénio ativo na corrente sanguínea, o que impediria o período fértil.

Estes antibióticos podem anular também o efeito da pílula do dia seguinte?

Sim. Aliás, a pílula do dia seguinte deve ser usada apenas como um método de ultimo recurso, de emergência. A pílula do dia seguinte tem uma dose de hormonas elevadíssima e que pode ter grandes e prejudiciais efeitos no organismo.

O antibiótico pode cortar o efeito da pílula de 21 e 24 dias, e também das injeções anticoncepcionais e da pílula do dia seguinte. No entanto, não corta o efeito da pílula de uso contínuo.

Em relação a outros antibióticos, não existem comprovações científicas que eles diminuam o efeito do anticoncepcional, no entanto, existem relatos de mulheres que engravidaram tomando anticoncepcional.

Por quanto tempo está a mulher desprotegida?

O ideal é associar outro método preventivo à pílula anticoncepcional enquanto o antibiótico estiver agindo no organismo.

Esse tempo é determinado pela meia vida do medicamento, informação presente na bula que indica qual é o tempo necessário para que a concentração do antibiótico caia pela metade.

No caso do antibiótico Amoxicilina, por exemplo, o tempo de meia-vida é de uma hora, enquanto o tempo de meia-vida da Tetraciclina é de 6 a 7 horas.

O medicamento costuma chegar a níveis bem baixos quando se atinge o período de sete vezes o tempo de meia vida. No caso da Amoxicilina, esse tempo seria de 7 horas e no caso da Tetraciclina, seria de até 49 horas. Procure a informação na bula e multiplique por 7.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), alguns medicamentos que compõem a terapia antirretroviral podem interagir com a pílula anticoncepcional e diminuir sua eficácia. É o caso dos inibidores da transcriptase reversa não nucleotídeos e dos inibidores de protease ritonavir.

O mesmo acontece com os anticonvulsivantes fenitoína, carbamazepina, barbitúricos, primidona, topiramato, oxcarbazepina e lamotrigina.

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